Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura apresentam

Uma Nova Forma de Vida

Em janeiro de 2020, o World Economic Forum (WEF) divulgou no Relatório New Nature Economy que a perda da biodiversidade e o colapso do ecossistema do planeta são percebidos como dois dos maiores riscos de impacto para a sobrevivência humana, com maiores chances de acontecer do que ataques terroristas, epidemias de doenças infecciosas ou ataques cibernéticos.

Enquanto esses três últimos eventos suscitam reações que mobilizam em escala global, dado o seu impacto imediato, não aceitamos refletir sobre o fim dos recursos vitais para a nossa sobrevivência. A resposta de todos nós – sociedade, empresas e governo – tem sido lenta, talvez pela incredulidade ou pela inércia, mediante o tamanho da mudança a ser enfrentada que, é preciso lembrar, mexe com nossos hábitos mais arraigados de vida e de consumo e com o modo de atuar das empresas.

No entanto, esta que é uma degradação “silenciosa” e crescente, liderada pelo homem ao longo dos últimos 200 anos, atingiu um nível que não se pode mais ignorar. Desde o Relatório Brundtland da ONU, de 1987, passando pela Eco-92 no Rio, chamados foram feitos para a mobilização de governos, empresas e sociedade civil. A título de exemplo, segundo o WEF, a geração de US$44 trilhões de dólares de valor econômico no mundo – mais da metade do PIB mundial – vem da exploração direta de recursos da própria natureza ou de serviços relativos a ela. Isso sem contar que, em última instância, qualquer atividade econômica depende, em maior ou menor grau, da natureza e, portanto, a sua perda contínua incorre em perda de valor econômico em todos os níveis da atividade humana.

Diante de tais evidências, a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou o período de 2021 a 2030 como a Década da Restauração de Ecossistemas. Devemos até lá remover da atmosfera vinte e seis giga-toneladas de gases de efeito estufa e restaurar ecossistemas degradados a um padrão que permita nosso planeta retomar a sua condição de regeneração plena.

Para atender a essa agenda, o ano de 2020 será marcado por uma série de iniciativas visando promover a conscientização do maior número de pessoas possível para a chegada da década considerada a mais importante da nossa existência.

O LivMundi está empenhado nessa missão desde 2016, democratizando assuntos relacionados à causa socioambiental em uma linguagem simples e acessível, com o propósito de despertar a consciência e a urgência necessárias na mudança de comportamento do indivíduo, da sociedade e das organizações. Queremos visibilizar histórias e personagens que nos inspiram, para que outros líderes e movimentos se multipliquem, reverberando a mensagem para o alcance e impacto que necessita. Ao longo dessa jornada realizamos benfeitorias em diferentes territórios, oferecemos conteúdo em nossas mídias sociais e levamos mais de 30 mil pessoas para se conectar por meio de múltiplas experiências gratuitas nas três edições do Festival LivMundi.

Um dos queridos parceiros dessa jornada é o líder indígena Ailton Krenak, um sábio em seu conhecimento tanto simples quanto profundo. Em depoimento ao LivMundi, Krenak argumenta que nós, humanos, estamos tão desconectados da natureza que chegamos ao ponto de a perceber como algo externo a nós; como se não fossemos poros e células do grande organismo vivo que é a Terra.

A história da humanidade nos confirma a reflexão de Krenak. Rumo ao desenvolvimento e ao progresso, fomos conduzidos a um modo de ser e viver que apresenta a natureza como algo a ser vencido. Chegamos até aqui com inquestionáveis melhorias na condição da vida humana, mas aprofundamos injustiças sociais e aportamos nessa grave crise socioambiental. Diante dessa realidade, temos o dever, como seres criativos e inteligentes que somos, de resgatar nossa conexão com o planeta e com a vida que o forma, encarando com coragem uma nova forma de viver e consumir.

E para que isso aconteça e ganhe escala, torna-se fundamental que as empresas, a partir de nós, indivíduos que a compomos, repensem seu valor para a sociedade, resgatando seu papel na solução de problemas do mundo. Precisamos restabelecer uma nova consciência, uma nova cultura que dê sentido à nossa existência.

Precisamos de todos para começar a transformar o mundo.

 

Este texto foi escrito por Luciane Coutinho, idealizadora do LivMundi.

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